Já faz algum tempo que a arte de rua deixou de ser exclusividade de lugares públicos como ruas, muros, postes, túneis, tapumes e todo tipo de mobiliário urbano.
A arte produzida por coladores de stickers e grafiteiros, aos poucos não é mais vista como produção unicamente informal e juvenil e passa a ocupar galerias e outros espaços expositivos institucionalizados.
Por outro lado, existem grupos que batalham para que sua arte saia do manto da ilegalidade e que continue, sim, atuando nas ruas como intervenções urbanas, vívidas, capazes de instigar a habilidade crítica do espectador.
A arte de rua é uma arte gratuita que pode ser vista por todos, dos mais aos menos acostumados com a linguagem característica da produção artística, muitas vezes rebuscada e de difícil entendimento pela maioria da população, que se sente intimidada de freqüentar museus e galerias.
O ponto comum a todos esses artistas é entender a arte de rua como uma das mais representativas formas de arte da contemporaneidade, desprovida de nomenclatura ou movimento organizado. Basta uma intenção e um espaço que a abrigue.
Seu espaço expositivo é o espaço de todos, transeuntes desacostumados a prestarem atenção na cidade na qual vivem, apressados pelas exigências pragmáticas do dia-a-dia.
O impacto cognitivo e afetivo proveniente da apreciação da obra é realizado de forma direta, ali mesmo nas ruas, sem instituições que intermedeiem esse processo.
Dentro da proposta de discussão da cidade como suporte democrático para as artes gráficas, o SESC Pinheiros realizou do dia 10 de julho a 23 de setembro a exposição “A Conquista do Espaço – Novas Formas da Arte de Rua”, que reúne artistas nacionais e internacionais reconhecidos por apresentarem possibilidades novas de apropriação do espaço público.
São trabalhos em grafite, modelagem, stencil, colagens e pintura, realizados originalmente nas ruas, transpostos para os SESC Pinheiros e Pompéia. Desafiam e ampliam os limites da arquitetura, das relações coletivas e individuais do espaço, apontando caminhos para a ampliação das experiências de diálogo entre elas.
Entre os artistas estão os brasileiros Alexandre Órion, Fefe Talavera, Onesto e também o italiano Blu, os grupos Buenos Aires Stencil e Run Don’t Walk da Argetina, Leon Reid IV e Mark Jenkins dos EUA, SAM3 da Espanha, Jorge Rodriguez-Gerada de Cuba/EUA e M-City da Polônia.
Entrevista: Gabriel de Almeida e Mari Prado
Texto: Deborah Motooka
Direção e Edição: Gabriel de Almeida |