Marc Collins – Nouvelle Vague
Zinnerama/Deborah: Os dois álbuns da banda apresentam músicas do pós-punk e new wave, do final dos anos 70 e 80, com rearranjos baseados no jazz e na bossa nova. Existe alguma razão especial pela escolha de um ritmo brasileiro?
Marc Collins: Escolhi músicas de que gostava bastante quando era mais jovem para fazer rearranjos baseados na bossa nova. Gosto bastante da melancolia presente na bossa nova. Qualquer música que tenha ao menos um pouco desse ritmo se torna muito bonita.
Z/D: Conte-me um pouco sobre o processo pelo qual a banda passou até encontrar a melhor forma de misturar ritmos que são, aparentemente, tão díspares, combinando músicas pop juvenis com a estrutura mais complexa do jazz. Qual foi o momento em que vocês disseram “É exatamente assim que queremos que seja nossa música”? Houve realmente um processo ou tudo aconteceu numa espécie de estalo?
MC: No primeiro álbum chamei o Olivier (também produtor da banda) para fazermos a seleção das músicas. Testamos várias opções e em poucas horas decidimos. Já no segundo álbum, procurei uma seleção que, além de conter músicas de que gostava muito na juventude, representassem bem os anos 80. Bandas como Siouxsie and The Banshees e Bauhaus foram muito importantes nesse período. Para isso, fiz uma lista de músicas dessa época com as quais queria trabalhar e busquei combinar inspirações vindas, inclusive, das próprias versões originais, levando em conta as letras. Percebi, então, quais soavam melhor com a bossa nova e o jazz. Depois disso, convidei os cantores para o projeto.
Z/D: O bacana desse projeto é que ele une letras diretas e irreverentes, características do pop, a um ritmo mais suave e jazzístico.
Pois é! Isso é muito estranho. O mais interessante nesse projeto é que ele combina vozes muito sensuais com letras duras, às vezes até políticas com ritmos como reggae, jazz e bossa nova. Acho que isso é o que torna nossa sonoridade diferente.
Z/D: Achei muito interessante o fato de que, no primeiro álbum, as cantoras não tiveram contato com a versão original das músicas que iam interpretar. Isso, de certa forma, trouxe frescor e criatividade às canções. Foi de propósito?
MC: Não foi de propósito, tanto que no segundo álbum preferi trabalhar de forma diferente. Dessa vez, apresentei a músicas às garotas antes da gravação. É claro que se alguma delas soubesse a música muito bem, talvez a interpretação não tivesse tanto frescor e criatividade. Mas, se pensarmos bem, somente na primeira interpretação conseguimos esse frescor. Depois que a música já está definida, o processo funciona mais como uma repetição do que já está estabelecido, pois os músicos já sabem exatamente o que tocar.
D/Z: Gostaria que você listasse as 5 coisas mais legais que pretende fazer no Brasil (risos).
MC: Temos pouco tempo no Brasil, pois amanhã faremos um show no Rio e, no dia seguinte, em Recife. Tivemos mais tempo na Argentina e no Chile. No Brasil, fomos a um restaurante em que podíamos nos servir de vários pratos...
D/Z: E colocar em uma balança (risos)? É muito comum por aqui...
MC: Exatamente. Não temos isso na França. Foi muito legal, pois comemos muito bem (risos)! Também queremos ir à praia no Rio, ouvir boa música brasileira e comprar instrumentos. Com certeza, há muitas coisas interessantes para se fazer no Brasil (risos).
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