Das cinzas, a fênix faz seu ovo. Na mitologia grega, fênix é um pássaro que entrava em autocombustão em seu momento de morte e, passado algum tempo, renascia das próprias cinzas. É o símbolo da esperança e da continuidade da vida após a morte.
Assim como a fênix, a cidade de Sarajevo renasceu depois de 3 anos de ataques incessantes e violentos, que a transformaram em uma paisagem pálida. Qual seria seu futuro? Poucos ousavam responder com convicção.
Os Bálcãs, onde está localizada Sarajevo, englobam a parte do sudeste europeu que inclui a Iugoslávia, a Albânia, a Hungria, a Bulgária e um pedaço da Turquia.
A Iugoslávia foi extinta. Em seu lugar, surgiram nove nações. Entre elas, a Bósnia. Sarajevo é sua capital.
É uma região sobre a qual incidem diferenças políticas e religiosas históricas. Católicos, ortodoxos e mulçumanos disputam o poder em pequenos países, fragmentados como resultado de séculos de desentendimentos entre seus grupos culturais e étnicos.
O líder britânico Winston Churchill, que já foi correspondente de guerra, definiu de forma perspicaz a antiga Iugoslávia: “A região dos Bálcãs tem um pendor para consumir mais história do que ela mesma pode consumir”.
Naquele ano de 1993 nós, os ocidentais, pouco compreendíamos sobre o que acontecia naquela terra tão distante. Como um povo de etnias múltiplas que vivem em relativa paz, torna-se difícil entendermos as razões do derramamento de sangue, sofrimento e intolerância daquela região.
Sarajevo estava cercada por forças sérvias que bombardeavam a cidade por 3 anos sem parar. A cidade era controlada por croatas e mulçumanos que, junto com os sérvios, compunham os principais grupos da população da Bósnia. |
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São todos da mesma etnia. Eslavos. O que os torna diferentes são suas tradições, separadas na Idade Média. Como conseqüência, seus interesses também são diversos, causando constantes conflitos e guerras.
Em sua série de retratos, na exposição Dear Sarajevo, o jornalista e fotógrafo Fernando Costa Netto registrou cenas de Sarajevo e de sua guerra em três momentos distintos: 1993, 1994 e 2006.
Seu desejo era fazer de seus olhos os olhos do mundo e convidar o espectador a refletir, e se indignar, com a situação extrema sob a qual estavam submetidas aquelas pessoas. Como viviam, se vestiam, moravam e comiam. Cenas do cotidiano esquecidas pela grande mídia, sob o olhar indiferente do resto do mundo.
Amigos, vizinhos, primos e irmãos lutavam entre si como desconhecidos, em uma cidade sem eletricidade, vidros nas janelas e calefação - a 20 graus negativos. Entre 1992 e 1995 cinco por cento da população de Sarajevo foi assassinada em combate dentro de suas casas, nas escolas, nas ruas, nos parques.
Fernando Costa Netto mostra essa mesma cidade em duas situações diferentes. Em guerra e paz. Ontem e hoje. Apresenta-nos seus habitantes, já em 2006, exalando ares de esperança e renovação. As trincheiras ficaram na lembrança e Sarajevo se levanta das cinzas, cosmopolita e viva
Entrevista: Gabriel de Almeida e Mari Prado
Texto: Deborah Motooka
Direção e Edição: Gabriel de Almeida |
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